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Mercado Imobiliário

China: planejamento e escala sustentam industrialização

Fred Fernandes e Ricardo Bressiani relatam no Secovi-SP lições de imersão na China sobre planejamento, integração acadêmica e escala na construção civil.

Fonte: SECOVI-SP3 min de leitura

Fred Fernandes e Ricardo Bressiani, da Potato Valley Ventures, apresentaram no XII Encontro de Construtores e Incorporadores, realizado pelo Secovi-SP e pelo SindusCon-SP nesta quarta-feira (21/10), as lições de uma missão à China sobre industrialização da construção.

A Potato Valley é uma empresa de venture capital que investe em startups da construção civil, em construtechs e proptechs, e promove imersões internacionais para o setor. Após passagens pelo Vale do Silício, em 2024, e por Miami, um ano depois, a empresa levou o grupo à China, experiência que Fred classificou como transformadora.

Segundo Ricardo Bressiani, a base do modelo chinês é o planejamento. Ele relatou ter visitado uma obra de cruzamento de estradas com prazo de 14 meses, que, no sétimo mês, apresentava andamento considerado impressionante. Para ele, não há aditivos de prazo ou de valor, e o que foi contratado precisa ser entregue.

O investidor citou a Glodon, empresa de software que acompanha toda a jornada da obra e usa o BIM para análise de custos e simulação de fluxo e de montagem. Fred acrescentou que a plataforma abrange desde a concepção do projeto e questões regulatórias até a gestão do ativo, e que decisões de projeto já são tomadas em função dessa gestão.

Ricardo defendeu que racionalização e industrialização não se excluem, e que a integração com a academia é parte do modelo. Ele citou USP, Poli, Mackenzie e Mauá, além de fabricantes de componentes, como atores que precisam estar sincronizados antes do início da obra. A validação de estruturas e materiais, segundo ele, ocorre em laboratórios de escolas, fabricantes e associações, antes de o projeto chegar ao canteiro.

Escala e integração industrial

Sobre a escala, Ricardo afirmou que ela é a chave do modelo e que a industrialização depende da participação do governo em grandes programas. Fred apontou que a capacidade instalada da indústria de cimento na China corresponde a 50% da capacidade global, e que pesquisa e desenvolvimento de cimento e aço são feitos em conjunto. Ele também relatou que o concreto de altíssima performance, com padrão de 100 MPa, é comum no país.

Os palestrantes mostraram soluções vistas nos canteiros, como estruturas de proteção de três a quatro andares que sobem junto com a obra. Ricardo apresentou robôs que marcam a laser, a partir do BIM, onde instalar a estrutura de light steel frame, e um robô aplicador de piso com nivelamento a laser. Segundo ele, esses equipamentos funcionam em grandes obras, mas não em pequenas. Fred citou ainda o controle ambiental com aspersão de vapor para reduzir a poeira em obras urbanas.

Sobre humanoides, Ricardo foi cauteloso e afirmou que a aplicação no canteiro está "anos-luz" de distância.

Eco Invest e lições

Ao resumir as lições, Ricardo listou decidir antes do canteiro, integrar em rede, alinhar o financiamento e ser detalhista na execução. Ele afirmou que os problemas chineses se parecem com os brasileiros.

Fred encerrou com menção ao Eco Invest, programa do governo que, segundo ele, envolve o Banco Mundial e o Tesouro Nacional e funciona com capital de alto risco e baixo retorno. Pelo modelo, a instituição financeira aporta duas vezes mais para cada moeda colocada. Já foram cinco leilões, o último em setembro, com foco em descarbonização e seis linhas de teses de investimento, entre elas a construção civil. Fred propôs retomar o tema com o setor no início do próximo ano.

Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.

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